Aniversário de Luís Cotrim. Uma rosa vermelha para você.

Impossível pensar no Mestre Cotrim – conhecido carinhosamente por Cot – sem reviver os dias mágicos do ginásio, uma época de pureza de almas e de sonhos elevados. Na hora da prova, Cot chamava os alunos de um-a-um, dando-lhes certas tarefas. Demorava-se um pouco mais, naturalmente, com as meninas, nestas segurando demoradamente suas mãos. A todos distribuía palavras de atenção e carinho, sempre com um sorriso nos lábios. Os alunos eram cônscios da pureza de sua alma, e o tinham como um pai, um amigo verdadeiro. Na primeira aula do ano falava: “Aqueles que quiserem passar de ano, coloquem aqui a nota que desejam e podem sair. Mas aqueles que quiserem aprender continuem na sala…”

Cotrim, sem sombra de dúvidas, sempre viveu adiante do seu tempo, como sói acontecer com os gênios. Hoje, depois de mais de quatro décadas de ensino, já aposentado, colhe os frutos que plantou e se orgulha de dizer que nunca reprovou um único aluno. E passeia feliz, pela Cidade Sol que adotou há mais de 40 anos e a qual tanto ama. Caminha com a mesma galhardia e mansidão que sempre pautaram sua trajetória de bem viver. Com certeza, diferentemente do escritor argentino Jorge Luís Borges, que apesar de toda sua fama e gloria, queixava-se – já velhinho – que se pudesse remoçar, andaria mais descalço pelas ruas, correria mais vezes na chuva, viajaria mais leve, sem tantas precauções, subiria mais montanhas, viveria mais a noite e menos o dia. Cotrim aprendeu esta lição desde cedo e degusta cada momento da vida como se fosse o último e o mais importante. Apaixonado pelas coisas simples do mundo, faz dele e de todas as musas que o habita razão do seu viver e do seu prosear. Noite de lua, Biblioteca, Rosas vermelhas, Cerveja gelada, Vinho Tinto, Pizzaria Quintal, Jornal de Jequié, Academia de Letras, Rotary, mulher bonita e muito amor são os ingredientes que fazem a vida do nosso querido Cot mais bela, mais saudável e com certeza bem mais curtida, nestes seus bem percorridos 89 anos de bem viver. Parabéns Cotrim. Jequié está feliz. Obrigado por você existir.

2 Comentários

  1. Dário Teixeira Cotrim disse,

    28/10/2007 em 2:13 pm

    Prezado confrade Ivonildo Calheira,

    Li com atenção seu comentário sobre o aniversário do ilustre acadêmico Luis Cotrim. O conheço bem, já estive em sua casa e falamos muito sobre as nossas famílias. Fico duplamente feliz, primeiro pelo aniversário do confrade Luis Cotrim e segundo por saber do amor e do carinho que todos vecês têm para com esta figura magistral que é o nosso Luis Cotrim.

    Por oportuno gostaria que levasse ao Luis Cotrim o meu amplexo e dizer-lhe o quanto nós o admiramos. Aqui, em Montes Claros, estamos na luta com as letras e a história.

    Hoje eu faço parte da Academia Montes-clarense de Letras e sou sócio fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros. Sou também sócio fundador da Academia Guanambiense de Letras. Nasci em Guanambi -Bahia.

    Um amplexo
    Dário Teixeira Cotrim

  2. denise bottmann disse,

    09/01/2008 em 9:56 am

    À Academia de Letras de Jequié e seus eminentes acadêmicos:

    Escrevemos para lhes expor um problema e solicitar algum eventual apoio de sua parte.

    Talvez os srs. tenham tomado conhecimento pela imprensa de um certo início de movimentação entre tradutores contra a apropriação indébita de traduções clássicas, feitas por intelectuais já falecidos, de grandes obras da literatura universal.

    Sucintamente, trata-se do seguinte:
    Um levantamento inicial mostra que mais ou menos 30 obras da grande literatura universal, que haviam sido publicadas na coleção da Abril Cultural, foram reeditadas pela editora Nova Cultural com a substituição dos nomes dos tradutores originais, aparecendo em lugar deles ou nomes de fantasia ou nomes verdadeiros. Essa quantidade de obras corresponde a mais de 60% dos títulos da coleção Obras-Primas da editora Nova Cultural, e destarte parece indicar que não se trata de casos isolados, e sim de uma prática deliberada e sistemática adotada pela referida editora.

    O que parece se configurar, portanto, é que a editora de maior visibilidade no país (que muitas pessoas ainda associam à Editora Abril e à extinta Abril Cultural) se apoderou de um patrimônio tradutório do país (pois nossa formação cultural, num país que depende tremendamente do acervo de obras traduzidas para o português, se constrói também e maciçamente sobre essa atividade) e, por razões ignoradas, mas com certeza escusas e que não vêm agora ao caso, eliminou, suprimiu, enterrou e está contribuindo ativamente para que se oblitere a contribuição desses intelectuais portugueses e brasileiros para a constituição de um acervo das grandes obras mundiais traduzidas para o vernáculo. Assim temos que Oscar Mendes, Octavio Mendes Cajado, Mario Quintana, Ligia Junqueira, Hernâni Donato, Silvio Meira, Brenno Silveira, Galeão Coutinho, Porto Carreiro, João Gaspar Simões, entre outros, foram eliminados, suprimidos, excluídos, aniquilados, exterminados, dos créditos de suas respectivas traduções. Pelo andar da carruagem, dentro em breve Rachel de Queiroz, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meirelles, Manoel Bandeira também serão banidos dos créditos das traduções… Mesmo que isso não ocorra, de qualquer forma o sumiço já perpetrado é mais do que suficiente para despertar uma imensa indignação entre as pessoas de bem que prezam a parca tradição cultural deste país, construída tão a duras penas.

    O fato é tanto mais grave porque, aqui, não são práticas avulsas, motivadas por questões financeiras, de pequenas editoras desacreditadas, como a Martin Claret, e sim partem de uma empresa de grande porte com suposta credibilidade acumulada ao longo de décadas junto ao público brasileiro, a qual certamente se aproveitou de seu prestígio junto aos leitores de boa-fé para impingir como verdade fraudes da mais descabelada grosseria.

    Assim, a nosso ver, seria da máxima e mais premente importância que a referida editora devolvesse o que é de direito a quem é de direito, apresentando os devidos créditos de tradução desses grandes clássicos, restituindo a verdade e tratando de recompor esse nosso patrimônio vilipendiado.

    Além de dever restituir a verdade, num gesto de decência básica e fundamental, uma atitude pública da Nova Cultural, retratando-se de sua conduta, certamente ajudaria a coibir a continuidade dessa prática inominável e permitiria que a história e a memória da tradução literária neste país deixassem de ser tão brutalmente adulteradas.

    Foi por isso que decidimos nos dirigir aos srs., pois temos a certeza de que estarão entre os primeiros a defender nosso patrimônio intelectual e o direito do leitor brasileiro e da sociedade em geral em ter um acesso livre, transparente e de boa qualidade à cultura universal.

    Solicitamos seu apoio para obstar essa nefanda devastação em curso e contamos com sua divulgação de nosso protesto entre todos os meios, entidades e instituições culturais que estiverem ao seu alcance. Aproveitamos a oportunidade para convidá-los a visitar nosso blog, onde estão divulgadas essas notícias, e onde há um abaixo-assinado para adesão: http://assinado-tradutores.blogspot.com

    Atenciosamente,
    Denise Bottmann
    dbottmann@uol.com.br

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