02 – Ivonildo Calheira *

.

Ivonildo Calheira

Cadeira 02
Acadêmico Fundador: Ivonildo Calheira Pereira
Patrono: Wilson Novais

Biografia do Acadêmico Fundador

Data de nascimento: 26 de julho de 1959
Naturalidade: Gandu, Bahia
Profissão: Médico Oftalmologista

Ivonildo Calheira Pereira nasceu na Fazenda São Rafael, nas mãos de parteira, em Gandu, Bahia, a 26 de julho de 1959. Filho de Arlindo Antônio Pereira e Iracy Calheira Pereira, aos seis anos sua família mudou-se para Jequié. Estudou o primário na Escola Castro Alves e no Grupo Escolar Ademar Vieira e o ginásio no Instituto de Educação Régis Pacheco (IERP), o colegial no Centro Educacional Ministro Spínola (CEMS) e Colégio Antônio Vieira, já em Salvador, para onde foi aos 16 anos. Foi aprovado nos dois vestibulares de Medicina aos quais concorreu – Escola Baiana de Medicina e Universidade Federal da Bahia (UFBA) – tendo optado pela UFBA, onde concluiu o curso médico em 1984. Foi aprovado em primeiro lugar no concurso para Residência Médica na área de Oftalmologia, no Hospital das Clínicas ou Prof. Edgard Santos (HPES), em Salvador, realizando, também, estágio opcional na Escola Paulista de Medicina, em São Paulo. Ao término da Residência Médica, realizou curso de pós-graduação no Instituto de Olhos Bascom Palmer, Universidade de Miami, Estados Unidos, por dois anos, com especialização em Córnea e Doenças Externas Oculares, com bolsa de estudos do Rotary International, por indicação do Rotary Club de Jequié, sendo o primeiro bolsista internacional de Rotary da cidade. Após curso de aperfeiçoamento no idioma inglês no interior da Flórida e em Denver, Colorado, Norte dos Estados Unidos, iniciou o curso na Universidade de Miami , onde realizou várias pesquisas médicas na área de Oftalmologia, apresentando-as na Universidade de Miami, em Congressos nos Estados Unidos e no Brasil, além de ter estes trabalhos publicados em revistas especializadas no Brasil, Estados Unidos e Inglaterra.

Fundador e proprietário, juntamente com sua esposa, a também oftalmologista Maria Aparecida de Souza Calheira, do Hospital de Olhos Calheira, especializado em doenças oculares, em Jequié. Fundou, com colegas da especialidade, o Banco de Olhos de Jequié, levando a cidade a um lugar de destaque na área dos transplantes, reconhecida hoje, em todo o estado, como a cidade do interior da Bahia que mais realiza transplantes de córnea.

Ex-presidente (96/97) do Rotary Club de Jequié, onde participou por várias gestões na Avenida de Serviços Internacionais, desempenhou também o cargo de Governador Adjunto do Distrito 455-0 (97/98) , sendo o representante do Governador de Rotary para as cidades de Jequié, Ubatã, Ipiaú, Jaguaquara e Itiruçu. Participou no ano de 2004, como líder do Intercâmbio de Grupo de Estudo (IGE), realizado no estado americano de Michigan, quando por trinta dias levou empresários e profissionais liberais baianos para entender a cultura e a economia dos EEUU.

Tenista, fundou, ao lado de Ivaldo Sena a Associação dos Tenistas de Jequié, da qual é o presidente, tendo construído quatro quadras de tênis har-thru no Clube dos Maçons, em Jequié, propiciando o soerguimento deste esporte na cidade.

Recebeu o Prêmio Gabriela, entregue por Jorge Amado, pela crônica As cores e as dores dos segundos. Com o conto Doutor por um dia, foi classificado em 3o. lugar no Concurso Nacional de Literatura da Associação Baiana de Medicina. Com os contos A última palavra e Acidente aéreo, conseguiu os primeiro e segundo lugares no Prêmio Luís Ademir de Literatura Brasileira – 1988, promovido pela Contemp Editora. Publicou: A Cicatriz de Um Sentimento (Romance), Relato de Um Médico Brasileiro nos Estados Unidos (Depoimento), A Poesia de Luís Cotrim & Ivonildo Calheira no centenário de Jequié (poesia), Nas asas da imaginação ( contos) e participou das coletâneas: Cem anos de Poesia e Prosa, publicação da ALJ, organizado por Dermival Rios, Liame, Jequié Poesia e Prosa, publicado pela Prefeitura Municipal de Jequié, Caderno Literário de Medicina e Anuário dos Poetas do Brasil, em 1985 e 1986. Participa como convidado da coletânea Release, publicada pela Editora Òmnira, de Salvador. Escreve regularmente para jornais, assina a coluna semanal Palavra por Palavra, no Jornal de Jequié e, com outros poetas, escritores e amantes da cultura, fundaram a Academia de Letras de Jequié, a 20 de junho de 1997, sendo eleito seu primeiro presidente e permanecendo no cargo por onze anos. Eleito, em 2008, membro titular da Academia de Cultura da Bahia, com solenidade de posse ocorrida na Faculdade Hélio Rocha, em Salvador.

Final de Labirinto *

Ivonildo Calheira
Pés descalços
sem laços
que me prendam a objetos
                             ou ideais
assim maltrapilho
pareço bizarro
assim sem destino
encontro a entrada
para o quase nada
que me faz mais eu...
esqueço do mundo
       imundo
mergulho, tristonho,
   num sonho de realidade interna
feita de fantasias e abstrações
         convertidas em emoções
a figurar por toda parte.

Meio sem arte – cambaleando -,
vou seguindo por este caminho
sem a certeza de estar sozinho
ou que vou lhe encontrar.

Mesmo nesta via
pensamentos obscenos
              minha mente permitia;
pensava na outra vida
          sem vida
na qual me encontrava:
na vida de um ideal
para a vida material
abstida de sofrimentos
de sentimentos.

Mas fazendo força
sei que sou que sou capaz
de voltar para minha paz
  e continuo a caminhada...
atiro pro lado o que me resta
e fico remido
e fico despido;

despido de dores, de rancores,
    de temores
despido de tristezas, de incertezas, de dissabores;
despido de vestes, de roupa de pano
mas vestido de alegrias, das coisas que amo.

Envolto por você,
por seu calor
descubro a vida,
encontro o verdadeiro amor.
* Poema dedicado à minha mãe Iracy, mulher que além de me presentear este mundo, contribuiu – com seu amor e simplicidade – no meu apego às coisas belas da vida.
Bibliografia
  • A Cicatriz de Um Sentimento (Romance)
  • Relato de Um Médico Brasileiro nos Estados Unidos (Depoimento)
  • A Poesia de Luís Cotrim & Ivonildo Calheira no Centenário de Jequié (poesia)
  • Nas asas da imaginação (contos)
  • Cem anos de Poesia e Prosa (coletânea)
  • Liame
  • Jequié Poesia e Prosa (coletânea)
  • Caderno Literário de Medicina e Anuário dos Poetas do Brasil (1985 e 1986)
  • Release (coletânea)
Contato

Endereço: Av. Rio Branco, 685 – Jequié / BA
Telefone: 73 3525 6376 (residência), 73 3525 4630 (trabalho)
Homepage pessoal: www.calheira.com.br
Email: calheira@gmail.com

Biografia do Patrono: Wilson Novaes

Ainda sem foto!

Escolher Wilson Novais como meu patrono foi algo que me ocorreu naturalmente, quando pensei em um grande vulto jequieense que realmente tenha influenciado no desenvolvimento da nossa querida Cidade Sol. Já conhecendo muito da história deste jornalista nato, que mesmo sem ter freqüentado as cadeiras universitárias passou a ser professor de muitas gerações, tive também o prazer de conhecê-lo, mesmo que superficialmente, andando pelas ruas de Jequié com sua vestimenta típica, nunca distanciado de sua peculiar boina. Sobre sua personalidade e juventude encontrei importantes subsídios com seu filho, o dinâmico jornalista Wilson Novaes Filho e principalmente com seu amigo, e também exímio jornalista, o acadêmico Eusínio Soares.

Wilson de Oliveira Novais, assim mesmo, com “i”, nascido em Jequié, no Alto do Maringá, reduto festivo das noites de boemia no antigo Jequié, filho de Francisco Ribeiro Novais e de Laurentina Adelaide Oliveira Novais, se destacava como possuidor de uma cultura geral adquirida com esforço próprio, alimentada pelo ideal de fazer jornalismo com seriedade. Autodidata e amante da leitura, atingiu excelente nível intelectual. Desde menino dedicou-se à investigação do desconhecido, formando um sólido conhecimento. Desprovido de ambição, driblava os percalços da imprensa interiorana e erguia sua voz com peculiar singularidade. Não se abatia ante as forças adversas nem ante as polêmicas que surgiam na imprensa, e sempre usando de franqueza, contou histórias, analisou os tempos, auscultou o povo, construiu imagens, criou personagens, interpretou sentimentos, traçou perfis, debateu problemas e examinou fatos com a firmeza fundamentada nas suas conclusões de pesquisador da alma humana e do significado das coisas, como sói afirmar seu amigo Eusínio Soares.

Publicou o livro Folhas Soltas, relíquia literária que deve ser lido com carinho por todo jequieense ou pessoa interessada na cultura da nossa cidade. Dono de uma belíssima escrita livre, improvisou versos e soltou o pensamento deixando simplesmente fluir a beleza de sua alma, não se importando em enquadrar seus versos nesta ou naquela escola literária. Galgou, naturalmente, a posição de filósofo da vida, deixando nas letras suas relações com o mundo e com os homens. Neste mesmo livro, publicado pelo Centro Gráfico do Senado Federal, vemos logo na capa um convite à meditação: “Num infinito abandono de estrelas/ larguei acalentados sonhos/ machucando os olhos dentro da noite./ Na taça rubra do amor,/ sepultei a mocidade/ esfolando rosas/ esponjas de vinho”. Também homenageia personalidades como Werdival Pitanga, Sá Bittencourt, Vieira de Melo e Castro Alves, dentre outros. Escreveu também o poema “Cidade Sol”, que viria a se tornar oficialmente o Hino de Jequié:

Cidade Sol

De morros circundada. Um sol ardente
Rio de contas, um lençol de prata,
cantando endechas pelo sol poente
e às noite de luar em serenata.

Datas idas, um moço inconfidente
fincou na terra brava, em plena mata,
um marco que redoira o teu presente
sob um facho de luz que se desata.

A heráldica do teu fidalgo porte
força em teu povo a sagração viril
que empolga as caminhadas do teu norte.

Que o teu futuro evolva em glórias mil
para que invejando a tua sorte
me abisme nas grandezas do Brasil!

Poderia ter sucesso em qualquer ramo de atividade humana, mas o jornalismo foi brindado com sua dedicação e sabedoria. Defensor da liberdade, viajava pelo mundo da música para conservar latente a tensão do espírito, magnificando sua capacidade criativa.

Wilson Novaes escrevia como quem escreve carta para um amigo, não se detendo em correções ortográficas ou gramaticais. Apenas deixava fluir sua mensagem, criticando mesmo aqueles que exageravam nos adjetivos. Do desejo de se infiltrar cada vez mais no mundo das letras, foi que surgiu a idéia de fazer um jornal. Em julho de 1945 fundou, então, o “Jequié”, juntamente com o também jornalista e entusiasta Eusínio Bonfim. Para manter seu jornal sendo publicado, venceu inúmeros obstáculos e talvez pela sua bravura e dedicação é que o hoje chamado “Jornal de Jequié” continua sendo publicado semanalmente, e seus editores, assim como o seu fundador, ostentam o orgulho de poder afirmar que o hebdomadário nunca saiu de circulação há mais de 50 anos, ultrapassando todas as barreiras e obstáculos que sabemos existir na economia brasileira de todos os tempos, principalmente quando se procura fazer um jornalismo sério em uma cidade do interior do Brasil. Por tudo isto o jornalista Wilson Novaes se confundiu com sua cidade natal. Os dois viviam em perfeita harmonia, um complementando o outro. Magnífica simbiose que só poderia gerar bons frutos. Wilson conhecia cada rua de Jequié, pois nelas caminhava sem pressa. Fazendo do jornalismo sua religião, participou, à seu modo, de todos os fatos políticos, sociais e econômicos que se passaram em Jequié durante toda sua existência.

Periodista, escritor, poeta e sobretudo jornalista, seus escritos mostravam a realidade nua e crua de Jequié. Apenas descrevia o que via e como via, nunca tentando manipular opiniões. Mas também não gostava de ser manipulado, e defendia seus argumentos com veemência. Possuidor de uma memória excelente, produziu muitos artigos e escritos, mostrando-se um exímio articulista, sempre defendendo os interesses de Jequié. Acreditava piamente na força da cura pelo espírito e sonhava com a transformação das coisas por meio da justiça e jamais pela arbitrariedade e pela violência.

Pela trajetória vitoriosa de Wilson Novaes é que podemos ver o valor dos livros, pois foi através deles que tirou grande parte de sua sabedoria . Bebeu da filosofia antiga, aprendeu sobre a metrificação dos versos – embora não achasse isto importante – os conselhos dos profetas, e os ensinamentos de Jesus Cristo, a quem adorava.

Wilson Novaes foi o fundador da Associação Jequieense de Imprensa e escrevia sobre tudo que achava conveniente, só retratando fatos que realmente presenciava ou vivenciava. Era rígido e generoso, irreverente e compadecido. Amante das noites estreladas, mostrou que se pode fazer muito quando realmente se acredita em determinado ideal. E seu ideal de vida foi o bem comum. Defendia o que achava que deveria ser defendido e atacava o que achava que deveria ser atacado. Sob o seu ponto de vista todo matiz tinha que ter real intensidade de cor. Sem meios-termos. E, por isto plantou e regou a semente da imprensa organizada e respeitada em nossa cidade. Semente esta que continua sendo regada – e de forma sensacional – pelo seu filho Wilson Novaes Júnior, o que comprova, de forma insofismável, que educação e vocação podem vir de berço. Que Deus o abençoe e guarde, Wilson Novaes. Escolher seu nome como patrono da cadeira número 2 da nossa Academia de Letras de Jequié, foi uma singela forma de dizer que você é imortal, que suas idéias são imortais, que seu ideal é imortal e, com a firmeza com que plantou esta semente nas terras quentes da Cidade Sol, certamente germinará mais e mais, a cada dia, não perecendo jamais.

Atualizado em outubro/2008