03 – Emerson P. de Araújo

Cadeira 03
Acadêmico Fundador: Emerson Pinto de Araújo
Patrono: José de Sá Nunes
Biografia do Acadêmico Fundador
Data de nascimento: 11 de fevereiro de 1926
Naturalidade: Salvador, Bahia
Profissão: Professor Titular de História
O prof. Émerson Pinto de Araújo nasceu em Salvador, em 11 de fevereiro de 1926, sendo seus pais Manoel Pinto de Araújo e Alice Pinto de Araújo. É casado com a professora Terezinha Paranhos de Araújo.
Fez estudos na capital, onde foi professor de ensino médio. Aprovado em concurso público em Salvador (1953), passou à condição de titular da cadeira de História Geral e do Brasil no Instituto de Educação Régis Pacheco, do qual seria diretor geral durante o governo Juracy Magalhães (1959-1962). Foi professor de História em vários estabelecimentos de ensino e de História da Educação e Sociologia Educacional na escola Normal de Jequié.
Fundador da Associação Cultural Dante Alighieri, do Conselho comunitário, da Associação Jequieense de Imprensa, Clube da Imprensa, Comitê Cidades Irmãs Jequié- Takoma Park e dirigiu várias entidades, entre as quais a Loja Maçônica União Beneficente e o Rotary Club de Jequié. Em 1977 ingressou no Rotary Club da Bahia e foi aclamado em 1990, na Conferência de Itabuna, Governador do Distrito 455 para o ano rotário 1990/1991.
Militou na política, elegendo-se vereador (1951-1955) e presidente da Câmara de Vereadores (1953-1955), quando substituiu o prefeito em suas viagens e impedimentos. Abandonou a política partidária após a morte do ex-governador Otávio Mangabeira ( 1956-1960), político a quem admirava.
Participou de congressos, simpósios, seminários, tendo integrado a delegação brasileira presente ao Congresso Internacional de Municípios, em Washington (EUA), em junho de 1960.
Colabora assiduamente na imprensa jequieense e publicou trabalhos no Boletim do Conselho Nacional de Geografia, na Revista dos Municípios, na revista do IBGE, na Revista de Direito Municipal e na Revista do Conselho Estadual de Educação. Foi redator de coluna especializada em educação no jornal A TARDE e assessor do Conselho Estadual de Educação e da Secretaria Estadual de Educação e Cultura.
É autor de ensaios e obras, dentre as quais se destaca a História de Jequié, “fonte de consulta constante, obra indispensável a todos os que se propõem a conhecer as origens e as lutas de nossa gente na construção desta cidade”, segundo Dermival Rios, em Jequié – Síntese Histórica e Informativa. Émerson Pinto de Araújo é, sem dúvida, o maior estudioso de nossa história e de nossa região.
Por Sérgio Cafezeiro (Advogado, Ex-presidente da OAB- Jequié)
Do livro Capítulos da História de Jequié, 1996.
Bibliografia
- História de Jequié
- Jequié – Síntese Histórica e Informativa
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Atualizado em outubro/2008Biografia do Patrono: José de Sá Nunes
O eminente filólogo José de Sá Nunes, consagrado no Brasil, em Portugal e antigas colônias lusitanas como um dos maiores cultores da língua Portuguesa, era aparentado com o inconfidente José de Sá Bittencourt e a família Bahiense. Nasceu em rincões baianos e, ainda criança, trazido pelo pai Lídio Nunes Bahiense, que deixou Vitória da Conquista para advogar em Jequié, aqui aportou entre a despedida do século XIX e o dealbar da centúria que se avizinhava. Curtiu a meninice no município emergente, desmembrado e emancipado de Maracás, aprendendo as primeiras letras na escola do Prof. Damião Vieira, onde foi aluno brilhante. Ao lado de Leobino e Dácio Vieira, filhos do professor, exercitou-se na aprendizagem da flauta e da clarineta. Mais tarde, já famoso, confessaria que a experiência serviu para temperar a aridez da gramática com a sonoridade dos instrumentos de sopro. Os colegas da escola primária tratavam-no ora como Zezinho, ora como Zequinha. Transferiu-se para a capital do Estado, onde fez os estudos secundários e superiores, bacharelando-se em ciências jurídicas e sociais a 8 de dezembro de 1916. Depois de colaborar em revistas e jornais de Salvador e ensinar várias matérias em diversos colégios, advogou em Ilhéus e Itabuna por algum tempo.
Deixando a Bahia, transferiu-se para Curitiba, depois de aprovado nos concursos para juiz e promotor, bem como professor de português, nos idos de 1921, na condição de catedrático da Escola Normal e, mais tarde, seria nomeado seu diretor. Sua peregrinação não parou ali e, em princípios de 1939, passaria à condição de titular da cadeira de filologia portuguesa na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, depois de habilitado em concurso público. Sempre inquieto, em 1941, deixando São Paulo, foi residir no Rio de Janeiro, na época capital federal, sempre ensinando filologia nos cursos superiores. A partir de então, seu nome ganhou dimensões internacionais, como partícipe de missões estrangeiras, sendo agraciado com inúmeras comendas e honrarias outorgadas pelo governo brasileiro e países da Europa. Ingressou simultaneamente na Academia Paranaense de Letras e na Academia de Letras da Bahia, que souberam reconhecer-lhe os méritos. Em 1947, associações culturais da Bahia movimentaram-se para a indicação do nome de José de Sá Nunes, que deveria preencher a vaga deixada na cadeira n.º 7 da Academia Brasileira de Letras, com o passamento de Afrânio Peixoto. Sá Nunes, entretanto, recusou-se a efetuar a tradicional visita aos acadêmicos, sob alegação de que não desejava ingressas na Academia na condição de pedinte. Atitude que foi também seguida por Carlos Dummond de Andrade, Érico Veríssimo, Rubem Braga, Vinícius de Morais e muitos outros.
Além de colaborar em revistas e jornais do Brasil e do exterior, inclusive na imprensa jequieense, Sá Nunes deixou perto de trinta livros, todos eles versando sobre segredos da Língua. Integrou a delegação brasileira que juntamente com a portuguesa lançou as bases do Acordo Ortográfico de 1945, efetuou a revisão da Constituição Federal de 1946 e, por indicação da Academia Brasileiras de Letras, elaborou o “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”. Jamais fez segredo que devia ao Prof. Damião Vieira, avô do ex-prefeito Ademar Vieira, a vocação e o seu amor pela Língua Portuguesa. Quando quiseram mudar a grafia do vocábulo “Jequié” para “Jiquié”, o Conselho Nacional de Geografia o incumbiu de dar o parecer final sobre o assunto, que concluiu ser “Jequié”, com e na primeira sílaba, a única forma certa e correta, tornando vitorioso o ponto de vista defendido pelo autor deste artigo. Guardo com cuidado mais de uma dezena de cartas que ele me endereçou.
