11 – João Pithon

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João Pithon

Cadeira 11
Acadêmico: João Pithon
2º Ocupante: Alfredo Batista
Fundador: Euclides J. Teixeira Neto
Patrono: José Antônio Ribeiro Filho

Biografia do Acadêmico

Data de nascimento: 5 de julho de 1929
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Biografia do 2º Ocupante: Alfredo Batista

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Biografia do Fundador: Euclides J. Teixeira Neto

Euclides J. Teixeira Neto
Falecido em: 5 de abril de 2000

Euclides José Teixeira Neto era advogado, nasceu no dia 11 de novembro de 1925, no povoado de Jenipapo, distrito de Areia (atual Ubaíra). Viveu praticamente maior parte da sua vida em Ipiaú. Contista e romancista. Foi Secretário da Reforma Agrária no Governo Waldir Pires. Suas obras publicadas: “Porque o homem não veio do macaco” (data), “Berimbau” (1946), “Vida Morta” (1947), “O patrão” (1978), “Os Genros” (1981), “64: Um prefeito, a revolução e os jumentos” (1983), “Machombongo” (1986), “O Menino Traquino” (1994), ”A Enxada” (1996), “Dicionareco da Roças de Cacau e Arredores” (1996), “Trilhas da Reforma Agrária” (1998), “O Tempo é Chegado” (2001 – livro póstumo, de contos, publicado pela EDITUS) e “Os Magros” (1956). Socialista, acreditava que o mundo deveria ser por essência, comunista. Prefeito da cidade de Ipiaú, Secretário da Reforma Agrária do Estado da Bahia, Secretário da Assistência Social, escritor regionalista, advogado de pé de ladeira. Saiba mais no site OverMundo e na Wikipedia

Biografia do Patrono: José Antônio Ribeiro Filho

Ainda sem foto!
JOSÉ ANTÔNIO RIBEIRO FILHO foi, sem dúvida, um dos primeiros intelectuais que residiram, por muitos anos, em Jequié. Trabalhou, ativamente, pela sua emancipação política e pelo desenvolvimento do município e de todo o sudoeste baiano.

Nasceu na cidade de Rio de Contas, no ano de 1869. Filho de José Antônio Ribeiro e de Hercília Amélia Ribeiro, casado com Elpídia Alves Ribeiro, com que teve dois filhos: Américo Ribeiro e Nozinha. Era fazendeiro, orador e político. Vinha de um casal de oito irmãos (Manuel Joaquim Ribeiro, José Antônio Ribeiro Filho, Álvaro, Leonel, Francisco, Odilon, Adolfo e Elvira da Silva Ribeiro, destacando-se o Cel. Adolfo, pai da educadora Mariadélia de Aguiar e do Cel. Leonel da Silva Ribeiro, casado com Ana de Melo Ribeiro, estes genitores do advogado, jurista, poeta e epigramista de verve, Pacífico Ribeiro, um dos fundadores da Academia de Letras de Jequié, ocupando a cadeira n.º09, da qual é patrono João Bastos).

Parêntese. Muitos amam Jequié: políticos de nomeada, comerciantes, trabalhadores, fazendeiros, educadores, profissionais liberais. Mas sempre foram motivados pelo poder e negócios.

Pacífico (que gentilmente me forneceu praticamente todos os dados da vida do meu patrono) tem sido diferente: nada pretendeu da terra que lhe cobriu o umbigo — honraria, posição de mando, lucro. Na juventude, vestiu gibão, perneira e guarda-peito, na fazenda do seu pai, atrás da Pedra do Curral Novo. Em seguida, formou-se em direito. Agasalha o que existe de mais puro na alma humana para com Jequié, a começar pelos sonetos, dos melhores que já se lavraram na Bahia. Mandou pintar quadros, cerca de trezentos, com seus próprios recursos limitados, imortalizando a história da sua terra estremecida, desde as primeiras casas, igrejas de todos os credos, residências tradicionais, feiras, casas comerciais, praças, bancos, jardins, logradouros ainda sem calçamento, vistas panorâmicas, escolas. Constituem lindíssima coleção, alguns podendo estar no Louvre, como o das ruínas da Capela de São Bento, construída pelo famoso Silvino, no alto da Pedra do Curral Novo, ao pé da qual Pacífico nascera.

Advogado erudito, o maior especialista em Direito Agrário que a Bahia já teve e tem. Ninguém lhe fez sombra: nem professores universitários, autores de projetos do Código Civil. Digo-o sem nenhum receio de parecer excessivamente generoso. Disto sou testemunha, há muitos anos, pelas diversas ocasiões em que lhe tomei pareceres jurídicos. Quando apresenta um arrazoado, tem a convicção plena de que está certo, pela sua longa prática curtida atrás dos cancelos. Fá-lo com tanta segurança que não admite outro entendimento do magistrado que vai apreciá-lo, acrescentando, em silenciosa e velada ameaça: “V. Exa. é obrigado a julgar como o sustento”. É a convicção de quem sabe muito. Por tudo isso, Pacífico nos deve um livro: basta que transcreva suas petições iniciais, contestações, recursos, arrazoados – pela forma e pelo conteúdo. Ninguém, igualmente, é mais ético que ele.

Sua relação com Jequié e tão sublime que, com escritórios famosos em ações em Conquista e Salvador, jamais advogou no torrão natal, salvo em eventuais ações. É que não consegue associar a materialização profissional com a pureza do seu profundo amor. Fechado o parêntese.

Ribeiro Filho tinha o apelido de Juca Ribeiro, desde a infância. Em 24 de março de 1895, fora, em Vitória da conquista, uma das testemunhas do casamento do seu irmão, Leonel da Silva Ribeiro, com Dona Ana de Melo Ribeiro, esta descendente do sertanista João Gonçalves da Costa, desbravador dos sertões da Bahia. Esse matrimônio registrado em Cartório é que sinaliza a data do seu nascimento, já no ato se declara com 26 anos. Por volta de 1890, mudou-se para Jequié, com os pais e alguns irmãos, passando a integrar os movimentos culturais e políticos da época, em companhia de Lindolfo Rocha, João Bastos, João Carlos Borges, José Alves Pereira, Damião Vieira, fundadores da “Sociedade Literária”, a primeira agremiação cultural da Cidade Sol. Foi, também, colaborador assíduo da gazeta “O Literato”, a primeira do município, então povoado, trazida a lume por João Bastos (jornalzinho manuscrito, vibrante e ousado, que, além de notícias, publicava artigos dos intelectuais da terra, como o diz o também jornalista Fernando Barreto, em “Roteiro Histórico-Sentimental de Jequié Cinqüentenário”, pág.15, 1960).

O patrono da cadeira 11 participou da fundação do “Clube União”, sob a liderança ainda de Lindolfo Rocha, acompanhado por Nestor Ribeiro, João Emílio Rodrigues da Costa, Urbano de Sousa Brito Gondim, José dos Santos Silveira, Tibério Meira, homens de bem, cuja agremiação se constituiu numa trincheira em defesa do então povoado, contra o banditismo que assolava a zona, contribuindo para a sua emancipação conforme salienta o lúcido historiador Émerson Pinto de Araújo, em seu livro já clássico, “História de Jequié”, 1ª ed., 1971.

José Antônio Ribeiro Filho era possuidor de inegável talento e espírito público. Demonstrou-o em várias oportunidades, mormente no exercício de Conselheiro e de Secretário do Primeiro Conselho Municipal, para o qual se elegera em 03 de outubro de 1897, quando foi o primeiro Intendente o Cel. Urbano de Sousa Brito Gondim. O Conselho foi instalado, oficialmente, com a sua Mesa Diretora, em 25 de outubro de 1897, data da Proclamação Política de Jequié.

Saliente-se, por fim, que Ribeiro Filho, usando de suas prerrogativas, denunciou e combateu a forjada eleição de 12 de novembro de 1899, patrocinada pelo então Intendente, que pretendia manter-se no cargo por mais um mandato. Convocou-se, então, uma assembléia do antigo Conselho Municipal, para discutir e solucionar o abuso. Nessa sessão, o Conselheiro João Emílio Rodrigues da Costa falou em “falsificadores de eleição”. Ainda aí nos socorremos do historiador Émerson, quando esclarece que Ribeiro Filho “por sua vez obtemperou que não houve mesa nem sessão formada, que o eleitorado não teve ciência da mesma (obra citada), asseverando o ilustre Conselheiro, ao final de sua assertiva, que “além de simulada e imaginária, a eleição não passou de uma quimera e de um insulto à moralidade pública”. Era, assim, a sua linguagem enérgica e lapidada, bem como as atitudes em defesa da terra que tomara por adoção.

Anulada, afinal, a fraudulenta eleição, uma outra fora, legitimamente, realizada, em 17 de junho de 1900, sendo eleitos o novo Intendente Dr. José Alves Pereira e o Conselho Municipal, fazendo parte deste o Cel. João Carlos Borges de Sousa (pai do empresário e político Waldomiro Borges, avô do atual governador, César Borges) e o Cel. Leonel da Silva Ribeiro. Como se vê, Ribeiro Filho é da preciosa árvore das famílias de destaque em Jequié: Ribeiro (do citado Pacífico); Pereira; Lomanto (de quem era bisavô), que percorreu todos os cargos da Bahia: vereador, prefeito, deputado estadual, governador, deputado federal, senador, novamente prefeito); Eleonora Cajahyba (poeta e desembargadora, filha de Ester Ribeiro Cajahyba e Albino Cajahyba, cidadão de incomparável procedimento de cidadão; Vieira; Barros; Costa; Brito; Meira e tantos outros que seria enfadonho citar.

Ribeiro Filho deve ter falecido depois de 1920, pois nesse ano vendera, por escritura pública, ao irmão Leonel, parte da fazenda Jequié, pertencente à antiga Borda da Mata.

Émerson escreveu a história de Jequié, com seus fatos, vultos e datas. Pacífico a sublimou nos seus cantares de amor, sonho, profunda ternura – paixão! Até parece que se tornou poeta para louvar a sua terra.

Feliz da Cidade em que dois filhos a tratam assim. Mas, quando toda a matéria for ruína, restará a alma de uma linda História em forma de canção e versos, como os Lusíadas ainda o são:

“Não busco louros nem possuo diadema,
contento-me com os versos deste poema
que é O MEU CANTO DE AMOR A JEQUIÉ!”

Aí ficará gravado no bronze do tempo o que escreveu um sobrinho de José Antônio Ribeiro Filho, este meu patrono da Cadeira 11.

Atualizado em fevereiro/2009