Discurso de Posse
A palavra que melhor define o meu discurso nesta noite é “agradecimento”. Agradecer hoje a noite é o meu dever de ofício, dever de acadêmico, dever de cidadão, portanto, agradeço a todos os presentes, a minha família, aos amigos a minha companheira Gal, mulher, amiga, amante em todos os momentos, razão de todas as razões da minha vida.
Quando vejo a Profa Darcy, minha primeira professora, que me alfabetizou, no Grupo Escolar Gov. Lomanto Jr.
Quando vejo o Prof. Luís Cotrim, meu professor de português no IERP, hoje meu confrade.
Quando vejo a Professora Diva Gondim, minha professora de português na UESB, hoje minha confreira, que tomará posse esta noite.
Quando e o Prof. Reinaldo Pinheiro, meu professor de psicologia e estrutura na UESB, hoje meu confrade.
Quando vejo a Professora Marluce o Professor Oscar que estão presentes nesta noite, com esses nomes faço representar os demais professores que tive e que por diversas razões não puderam estar presentes, meus sinceros agradecimentos.
Desta forma, sinto a forte lembrança do início de tudo, a origem, a motivação que me fez chegar até este importante momento, com toda certeza, deveu-se aos Professores e Professoras que me ensinaram muito mais que ler, escrever e fazer conta. Mas tudo isso, ainda seria pouco, se não tivesse a base sólida da família e dos amigos donde tirei forças para continuar nos momentos de dificuldade e onde compartilhei as vitórias.
É essa rede de sentimentos e ações que faz com que nossos objetivos sejam alcançados e o universo conspire a nosso favor. Nunca imaginei que esse longo caminho me levasse a ocupar esta cadeira número 32 na Academia da Letras de Jequié. Oriundo de escola pública, nesse sentido, nunca encontrei estradas largas e pavimentadas, mas aprendi a abrir caminhos e seguir em frente e com essa persistência tenaz, chegar a tal momento. Estou muito emocionado, mas agora devo recompor-me e retomar o protocolo.
É praxe que cada acadêmico ao tomar posse, recorde seu antecessor, portanto, a cadeira 32 foi fundada pelo O Ministro Leônidas Spínola, nasceu em Castro Alves (BA), em 1910. Cursou Humanidades e Filosofia em Recife (PE) e Direito Canônico e Teologia no convento dos Teresios (hoje, Museu de Arte Sacra). Ordenado sacerdote em 8 de dezembro de 1935, serviu nos municípios de Conde e Santa Inês, e foi coadjutor da Freguesia de Santo Antônio de Jequié. Em dezembro de 1944 adquiriu, por compra, o Ginásio de Jequié, que passou então a denominar-se Centro Educacional Ministro Spínola. Nomeado Ministro do Tribunal de Contas em 1966, foi seu presidente de janeiro de 1976 a dezembro de 1977. Pertence a diversas associações culturais, dentre as quais o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, o Penn Club, a Accademia Mondiale Degli Artisti e Professionisti per la classe Latteratura Brasiliana.
Impecável exemplo de cidadão, seja atuando como Sacerdote, Educador, ministro do Tribunal de Contas, sempre preservou a capacidade de enxergar o futuro oferecendo sua plena capacidade profissional e intelectual aos serviços religiosos e educacionais. Mesmo não tendo sido aluno do CEMS, bons momentos da minha infância passaram no campo de futebol do colégio. É desta época que guardo as mais ternas lembranças do Padre Spínola.
Para finalizar, peço permissão para ler uma citação de Machado de Assis:
“A Academia, trabalhando pelo conhecimento [...], buscará ser, com o tempo, a guarda da nossa língua. Caber-lhe-á então defendê-la daquilo que não venha das fontes legítimas, - o povo e os escritores, - não confundindo a moda, que perece, com o moderno, que vivifica. Guardar não é impor; nenhum de vós tem para si que a Academia decrete fórmulas. E depois, para guardar uma língua, é preciso que ela se guarde também a si mesma, e o melhor dos processos é ainda a composição e a conservação de obras clássicas.” (Machado de Assis, Academia Brasileira de Letras 7 de dezembro de 1897).