ALJ perde o poeta João Pithon
terça-feira, 8 de julho de 2008 às 5:02 am · por Ivonildo Calheira
Categorias: Artigos, Notícias, Poesias

Último dia 7 de julho perde um apaixonado pela Academia de Letras de Jequié: João Miranda Pithon. Três dias após completar 84 anos, ele que nasceu dia 5 de julho de 1929, deixou a nossa companhia carnal para nos iluminar do firmamento, pois sabemos que quando um poeta se vai ele não morre, se transforma em estrela. E na certeza de que o brilho da estrela de Pithon continuará iluminando a ALJ é que lhe rendemos esta homenagem. Temos a certeza de que ele morreu feliz. Feliz porque ocupou, como Membro Titular a cadeira de número 11, que já foi ocupada por Euclides Neto, que foi o seu fundador, depois ocupada também por Alfredo Batista, e que tem como patrono José Antônio Ribeiro Júnior.João Miranda Pithon: Um Ícone da Academia de Letras de Jequié
Um dos grande amigos de Pithon é o poeta e mestre Luís Cotrim, maior poeta vivo e grande entusiasta da entrada de Pithon para a ALJ. Cotrim sentiu muito a passagem de Pithon para o firmamento, mas sabe também que ele continua vivo nos seus livros, nas suas poesias. Apesar do sentimento de perda, temos que entender que a morte nada mais é que uma etapa da vida, assim como o nascimento. A morte é o “grande finale” da vida, e devemos comemorá-la assim como fazemos com o nascimento. Na morte é que encontramos os nossos amigos que partiram nossos familiares que foram antes para o infinito. É quando encontramos a face de Deus e toda a Sua paz.
Tive o privilégio de escrever a apresentação de um dos livros de Pithon, ” Percurso de um poeta” e nele já dizia que Pithon era um batalhador das letras, um poeta profícuo e que escrevia o que os leitores gostavam de ler: a poesia simples, sem rebuscamentos complexos, mas com muita magia e sentimento nas palavras. Coloco aqui um poema que ele me dedicou, publicado também no livro “Percurso de um poeta”:
Quando eu for
O poeta que tenho dentro de mim.
Surge a noite, a lua aparece.
As estrelas no berço adormece.
Os sonetos se escrevem assim.
O sonho da vida é ilusão,
De um pensar, a noite escura.
O sonho resplandesce de uma paz pura
O poeta de alma azul, como o céu do Sertão.
Embiago-me com o sonho
Vendo ao longe a luz, com o olhar risonho.
Seguir o céu pelos caminhos,
Florindo as flores, eu pude vê-las
O revoar bonito dos passarinhos.
Que Deus o tenha em um bom lugar, João Miranda Pithon. Esta é uma homenagem dos seus confrades e amigos da Academia de Letras de Jequié.