ALJ perde o poeta João Pithon

João Pithon

Último dia 7 de julho perde um apaixonado pela Academia de Letras de Jequié: João Miranda Pithon. Três dias após completar 84 anos, ele que nasceu dia 5 de julho de 1929, deixou a nossa companhia carnal para nos iluminar do firmamento, pois sabemos que quando um poeta se vai ele não morre, se transforma em estrela. E na certeza de que o brilho da estrela de Pithon continuará iluminando a ALJ é que lhe rendemos esta homenagem. Temos a certeza de que ele morreu feliz. Feliz porque ocupou, como Membro Titular a cadeira de número 11, que já foi ocupada por Euclides Neto, que foi o seu fundador, depois ocupada também por Alfredo Batista, e que tem como patrono José Antônio Ribeiro Júnior.João Miranda Pithon: Um Ícone da Academia de Letras de Jequié

Um dos grande amigos de Pithon é o poeta e mestre Luís Cotrim, maior poeta vivo e grande entusiasta da entrada de Pithon para a ALJ. Cotrim sentiu muito a passagem de Pithon para o firmamento, mas sabe também que ele continua vivo nos seus livros, nas suas poesias. Apesar do sentimento de perda, temos que entender que a morte nada mais é que uma etapa da vida, assim como o nascimento. A morte é o “grande finale” da vida, e devemos comemorá-la assim como fazemos com o nascimento. Na morte é que encontramos os nossos amigos que partiram nossos familiares que foram antes para o infinito. É quando encontramos a face de Deus e toda a Sua paz.

Tive o privilégio de escrever a apresentação de um dos livros de Pithon, ” Percurso de um poeta” e nele já dizia que Pithon era um batalhador das letras, um poeta profícuo e que escrevia o que os leitores gostavam de ler: a poesia simples, sem rebuscamentos complexos, mas com muita magia e sentimento nas palavras. Coloco aqui um poema que ele me dedicou, publicado também no livro “Percurso de um poeta”:

Quando eu for

O poeta que tenho dentro de mim.
Surge a noite, a lua aparece.
As estrelas no berço adormece.
Os sonetos se escrevem assim.
O sonho da vida é ilusão,
De um pensar, a noite escura.
O sonho resplandesce de uma paz pura
O poeta de alma azul, como o céu do Sertão.
Embiago-me com o sonho
Vendo ao longe a luz, com o olhar risonho.
Seguir o céu pelos caminhos,
Florindo as flores, eu pude vê-las
O revoar bonito dos passarinhos.

Que Deus o tenha em um bom lugar, João Miranda Pithon. Esta é uma homenagem dos seus confrades e amigos da Academia de Letras de Jequié.

Grupo Rappa homenageará Waly Salomão

Na próxima semana o grupo musical Rappa, que pela primeira vez estará em Jequié, fará uma grande homenagem ao poeta jequieense e patrono da ALJ Waly Salomão.

Waly, poeta, ensaísta, bacharel em direito pela UFBA, autor dos livros “Me segura que eu vou dar um troço”, “Gigolô de bibelôs”, “Armarinho de miudezas”, “Hélio Oiticica”, “Algaravias” e ‘Lábia”, e que tem letras em muitas músicas de cantores famosos, foi um grande incentivador no sucesso do grupo Rappa.

Relendo o livro “41 poetas do Rio”, que recebi com autógrafos dizendo: “Para o amigo Ivonildo, com um abraço afetuoso de Waly Salomão”; Destaco seu poema:

Câmara de Ecos

Cresci sob um teto sossegado,
meu sonho era um pequenino sonho meu.
Na ciência dos cuidados fui treinado.

Agora, entre meu ser e o ser alheio
a linha de fronteira se rompeu.

Waly Salomão

Livros

Oh! Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia…
E manda o povo pensar!
O livro caindo n´alma
É germe que faz a palma,
É chuva que faz o mar.

Castro Alves