Wilson Novais: Patrono da Cadeira 2 da ALJ
terça-feira, 27 de outubro de 2009 às 3:14 am · por Ivonildo Calheira
Categorias: Notícias
Wilson Novais: Patrono na ALJ
PATRONO: WILSON NOVAES
ACADÊMICO: IVONILDO CALHEIRA
Escolher Wilson Novais como meu patrono foi algo que me ocorreu naturalmente, quando pensei em um grande vulto jequieense que realmente tenha influenciado no desenvolvimento da nossa querida Cidade Sol. Já conhecendo muito da história deste jornalista nato, que mesmo sem ter freqüentado as cadeiras universitárias passou a ser professor de muitas gerações, tive também o prazer de conhecê-lo, mesmo que superficialmente, andando pelas ruas de Jequié com sua vestimenta típica, nunca distanciado de sua peculiar boina. Sobre sua personalidade e juventude encontrei importantes subsídios com seu filho, o dinâmico jornalista Wilson Novaes Filho e principalmente com seu amigo, e também exímio jornalista, o acadêmico Eusínio Soares.
Wilson de Oliveira Novais, assim mesmo, com “i”, nascido em Jequié, no Alto do Maringá, reduto festivo das noites de boemia no antigo Jequié, filho de Francisco Ribeiro Novais e de Laurentina Adelaide Oliveira Novais, se destacava como possuidor de uma cultura geral adquirida com esforço próprio, alimentada pelo ideal de fazer jornalismo com seriedade. Autodidata e amante da leitura, atingiu excelente nível intelectual. Desde menino dedicou-se à investigação do desconhecido, formando um sólido conhecimento. Desprovido de ambição, driblava os percalços da imprensa interiorana e erguia sua voz com peculiar singularidade. Não se abatia ante as forças adversas nem ante as polêmicas que surgiam na imprensa, e sempre usando de franqueza, contou histórias, analisou os tempos, auscultou o povo, construiu imagens, criou personagens, interpretou sentimentos, traçou perfis, debateu problemas e examinou fatos com a firmeza fundamentada nas suas conclusões de pesquisador da alma humana e do significado das coisas, como sói afirmar seu amigo Eusínio Soares.
Publicou o livro Folhas Soltas, relíquia literária que deve ser lido com carinho por todo jequieense ou pessoa interessada na cultura da nossa cidade. Dono de uma belíssima escrita livre, improvisou versos e soltou o pensamento deixando simplesmente fluir a beleza de sua alma, não se importando em enquadrar seus versos nesta ou naquela escola literária. Galgou, naturalmente, a posição de filósofo da vida, deixando nas letras suas relações com o mundo e com os homens. Neste mesmo livro, publicado pelo Centro Gráfico do Senado Federal, vemos logo na capa um convite à meditação: “Num infinito abandono de estrelas/ larguei acalentados sonhos/ machucando os olhos dentro da noite./ Na taça rubra do amor,/ sepultei a mocidade/ esfolando rosas/ esponjas de vinho”.
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